Às vezes o período da tarde transcorre
naquele marasmo. Os ruídos de sempre, alguns gemidos conhecidos, outros
inéditos, mas, nada fora do normal. Até mesmo pedidos de socorro são bem
normais.
Normais, “pero no mucho". Nessa tarde em especial, uma mulher
começou a gritar por socorro, nenhum dos serviçais deu atenção, mas os pedidos
foram gradativamente aumento de volume e intensidade de desespero. Então uma
das camareiras resolveu ir até à porta e perguntar se precisava de alguma
coisa, a resposta foi num tom angustiante; uma voz sôfrega de mulher que pedia ajuda.
Então fomos prestar o auxílio pedido.
O problema é que, esse motel não possui chaves reservas dos quartos para esse
tipo de situação e foi preciso arrombar a porta, nos deparamos com a mulher nua,
algemada ao pole dance, semblante de real desespero, maquilagem borrada pelas
lágrimas e um constrangimento palpável pelo ar. A recepcionista, sempre
proativa, correu para cobrir a nudez da jovem aventureira com o lençol fustigado
da cama. E eu perguntei pelo companheiro dela, ela disse com pouca voz que o
homem havia ido ao banheiro se sentindo mal e fomos procurar por ele. Ele
estava caído na hidro, desmaiado, vestido de Super Man.
Ligamos para a
emergência. Os socorristas olharam a circunstância
e, acostumados a situações do tipo, fizeram piadas com a cena, dizendo que as
camareiras haviam colocado criptonita naquele quarto e mataram o super-homem. Naquele
momento, não achamos apropriado rir e apenas nos entreolhamos. A Polícia
chegou. Os socorristas fizeram o trabalho que deveria ser feito e
levaram o casal para a Unidade de Pronto Atendimento. Após a saída da ambulância, um dos
policiais olhou para o carro virando a esquina e, fazendo uso de uma letra de
musica, fez gracejo dizendo: "Foge! foge, Mulher-Maravilha!". Aí não
nos contivemos e todos nós começamos a rir compulsivamente da situação. Coitado
do casal de super heróis!

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